Serra das Porteiras e Belo Monte tem história e causos para contar

Por Cláudio André, publicado em 3 de maio de 2021

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O rio Ipanema e a serra das Porteiras o que ambos tem em comum? Tudo. Há milhões de anos a serra era única, mas com o advento da passagem do rio a serra foi cortada para da passagem a correnteza.
A serra das Porteiras é legitimamente uma escarpa. Na geografia, é um declive muito íngreme de terreno, provocado por erosão. Coberta por vegetação de caatinga, a serra das Porteiras tem uma rasa camada de rocha granítica com desgastes físico e químico através da ação do intemperismo.
Quem chegou primeiro, o rio ou a serra? Lógico que foi a serra, mas foi o rio que a cortou no meio. Eis o motivo de estarem tão interligados. A serra das Porteiras se não tivesse sido cortada pelo rio deveria ter mais de 20 km de camada rochosa, mas pelo que vimos, hoje, ela tem pelo menos uns 06 km de comprimento e no seu cume deve-se chegar a mais de 500 metros de altitude acima do nível do mar.
O assoreamento é um dos fatores que tira a vida abundante do rio Ipanema, mesmo sendo temporário. O que vemos são poças d’água que são sobras da última enchente. Nesse local onde apareço fica na comunidade do povoado Tapera. O rio Ipanema que nasce em Pesqueira, agreste meridional de Pernambuco, percorre mais de 200 km até a foz que fica no município de Belo Monte.
O rio Ipanema sofre várias alterações em todo seu meandro, onde há uma grande variação em larguras e profundidas. Nesse trecho, onde a comunidade ribeirinha chama-se Tapera, o rio tem seu histórico de enchentes, deixando para trás rastros de destruição.
Observem que em alguns trechos há uma mata ciliar e no seu meandro o rio quando seca mostra seu lado frágil devido a falta de zelo pelas mãos humanas. O rio Ipanema, importante afluente do Velho Chico, também sofre com assoreamento.
A serra das Porteira que ouvia falar quando criança, realizei o sonho de conhece-la de perto. Na GEOMORFOLOGIA, pode-se descrever a serra das Porteiras como uma escarpa devido ao aclive de terrenos nas bordas de planaltos, serras etc.
Caminhar pelo leito do rio Ipanema é uma experiência maravilhosa. Pudemos observar que a desigualdade do relevo provoca em determinados trechos a existência de marmitas e a junção de rochas graníticas e sedimentares, ambas passando ainda por transformação.
A exploração do rio São Francisco, a partir de 1850, possibilitou uma série de novas descobertas aos desbravadores da região. Ao atingir o rio Ipanema, foi encontrado, à sua margem, um caminho aberto para o interior, descobrindo, na verdade, o caminho que levava a Pesqueira, em Pernambuco.
O são Francisco de braços abertos para quem chega a casa do artesão Jasson é apenas um dos atrativos virado para serra do Humaitá.
Exatamente no ponto de encontro entre os dois surgiu um núcleo populacional, onde missionários, colonizadores e comerciantes dos centros maiores faziam seus negócios – hoje ficou conhecido com Barra de Ipanema.
Ao chegar na casa do seu Jassom, ele nos apresentou uma arte de madeira que apareceu no leito do rio Ipanema após a enxurrada do ano de 2020. Um preto Véio de madeira sem os braços e com partes da obra de arte danificada, foi encontrado no meandro do rio Ipanema e a saga agora é descobrir de quem é a obra.
O solo arenoso mistura-se com o argiloso e ambos intercalam-se quando o rio baixa o nível ou quando simplesmente seca, pois ele não é perene. Tem o tempo de cheia, mas quando seca torna-se num lugar ideal para fazer estudos sobre suas manifestações, pois o meio ambiente está sempre se renovando, que chova o faça sol.
Em 1886, foi elevada à condição de vila, já com o nome de Belo Monte. Daí por diante sofreu muitas modificações em sua estrutura político-administrativa. Foi anexada e incorporada por outros municípios várias vezes. Em 1947, a sede foi transferida para a então Vila de Batalha, permanecendo Belo Monte um distrito. Só em 1958 conseguiu sua autonomia.
Ouvir as histórias do seu Jasson não tem preço. Conhecer essa região do município de Belo Monte é simplesmente ter uma aula de campo. Entre rio e comunidades há fatos históricos. Entre o artesanato e o artesão há obras de artes que se imortalizam naturalmente.
Segundo relatos históricos de moradores mais antigos, conta-se que a abertura da serra devido a ação do rio, abriu-se de um jeito como uma porteira, ficou escancarado, eis o apelido de serra das Porteiras.
O nome de Belo Monte originou-se da beleza topográfica da sua área, que, segundo a tradição corrente, fôra D. Pedro II, que na sua passagem por aqui, assim a batizou; de fato, quando ele criou Vila Lagoa Funda, já no decreto da criação mudara o nome para Belo Monte.

Aguardem a próxima reportagem!

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Cláudio André

Cláudio André Santos, natural da cidade de Olho d'Água das Flores, sertão de Alagoas, formado em radiojornalismo, poeta, blogueiro, radialista profissional (Reg.3059 - DRT-PE), escritor. Tem doze livros de poesias e crônicas publicados. Premiado Pelo Ministério da Cultura em 2009 com o projeto Cultural Minha Imaginação é um Poema. Estudou além Radiojornalismo, Francês e Filosofia. Membro efetivo da Associação Alagoana de Imprensa (Reg.678). Fundador da Rádio Olho d'Água FM e Rádio Web News Olho d'Água, criador do Projeto Música na Escola, ex-seminarista. Show-man. Foi um dos fundadores e diretor-executivo da Associação de Blogueiros de Pernambuco (ABlogpe). Fundador do Sistema Online Poeta de Comunicação (Blog, Site, Studio, Lista telefônica, Rádio Web e TV Web). Trabalhou em mais de uma dezena de emissoras de rádio nos estados de AL, PE, SP. Tecnólogo em oratória, em técnicas de vendas e administração empresarial pelo SENAC. Tem várias premiações como repórter e blogueiro. Destaque na área do fotojornalismo. Criador do projeto ecológico/educativo Poeta Viagens e Aventura. Membro efetivo da FACUPIRA (Fundação Cultural de Palmeira dos Índios/AL), Ex-membro do Conselho Municipal de Saúde de Bom Conselho/PE. Colunista dos sites Tribuna do Sertão (P.dos Índios) e Tribuna do Agreste (Arapiraca) e 7 Segundos (Maceió). Ex-assessor de comunicação da Câmara de Vereadores de Bom Conselho/PE.

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