Serra do Pedro/PE: Sua geomorfologia, suas lendas e sua histórica religiosidade

Por Cláudio André, publicado em 15 de março de 2021

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O projeto Poeta Viagens e Aventuras chegou ao município de Lagoa do Ouro e a parada foi na serra do Pedro, um atrativo turístico com um afloramento rochoso granítico ainda em transformação.
As rochas encontradas na Serra do Pedro são da família do granito. Podemos dizer que o granito é uma mistura de quartzofeldspato e micas. A vegetação encontrada na serra é de transição.
No entorno da serra e nas ondulações do rochedo granítico é comum encontrar várias espécies de cactáceas, como por exemplo, a macambira de flecha e o gravatá.
Na serra do Pedro há uma mistura de turismo ecológico e religiosidade. Esse atrativo além de ser um cartão postal é um ponto de referência para a prática de atividades religiosas, que precisa ser melhor cuidado pelo poder público local e pela população, mesmo o atrativo estando numa área particular.
O grande afloramento rochoso da serra do Pedro é também composto por rochas ígneas oriundas do interior da terra (rochas plutônicas), que se resfriaram no interior da crosta terrestre e aflorou a superfície por meio da erosão pluvial e eólica.
A Serra do Pedro é uma mistura de sitio Geoturistico e parque de ecoturismo com uma vasta área de vales, encostas e vegetação de transição (caatinga+mata atlântica). Suas formações geológicas, segundo estudos já realizados, é da era mesoproterozoica, datam de 1.600 a 1.000 milhões de anos, onde sua maior altitude registra-se 817 metros de altitude, mas com uma variante entre 750 e 820 metros.
O cume da serra do Pedro é um ponto turístico religioso. É comum encontrar no semiárido brasileiro, em especial no Nordeste, locais assim para a prática do sincretismo religioso.
Pudemos ver que os cortes formados no grande afloramento rochoso da serra do Pedro foi uma ação pluvial. Não há dúvidas que há milhões de anos ali foi o fundo de um oceano. As rochas graníticas ainda estão em transformação devido ao intemperismo. É notório o desgaste das rochas que ficam mais na lateral da serra.
Na minha pesquisa realizada in loco, encontrei várias espécies de plantas arbustivas, cactáceas e botânicas em todo o entorno do grande rochedo. Uma situação lamentável é encontrar muito lixo acumulado. Garrafas pets, vidro quebrados, garrafas de bebidas, restos de plásticos espalhados por todo o rochedo, uma verdadeira degradação ao meio ambiente.
A maioria dos matacões encontrados no rochedo granítico da serra do Pedro, estão com pichações, uma verdadeira falta de educação dos visitantes e pura agressividade com o meio ambiente. Não há placas educativas, não há lixeiras, não há conscientização humana.
A serra do Pedro é um grande e importante atrativo turístico do município de Lagoa do Ouro que infelizmente está abandonado e que precisa urgentemente de um maior cuidado. O acesso não é difícil, porém não tem sinalização nenhuma, o boca a boca, pergunta aqui e acolá, faz qualquer pessoa chegar a serra.
A vista de cima da serra do Pedro é indescritível. Temos uma cordilheira de norte a sul e de leste a oeste de tirar o fôlego. Por esse ângulo, percebe-se o quanto a região sofre com o desmatamento.
O clima do município de Lagoa do Ouro é tropical (quente e úmido), tendo temperaturas elevadas no verão de 32°C, e baixas no inverno de 15°C. No dia que fomos conhecer a serra do Pedro, estava ensolarado e uma camada cinza encobria o horizonte. Vejam o quanto o relevo dessa região é desprotegido. Restam poucas árvores, pouca vegetação que foi trocada pela pastagem para a criação de bovinos.
A serra do Pedro é daqueles lugares que você chega, para, olha, respira fundo e se inspira com a energia da natureza. Pouco se importa se a altitude ultrapassa os 800 metros acima do nível do mar, pois esse sentimento torna-se secundário.
Conta a história que por volta do ano de 1930, o município de Lagoa do Ouro foi atingida pela doença da “febre do rato”. Um agricultor que morava na região da serra, conhecido pelo nome de Pedro Xingó, fez uma promessa a São Pedro para que se a doença não se alastrasse pelo povoado de Campo Alegre, ele construiria uma capela. Mas o senhor Pedro Xingó veio a falecer sem cumprir a promessa. Conta-se ainda que ele apareceu num sonho da filha dele, chamada de Maria Xingó, pedindo que a capela fosse construída.
A vista de cima da serra do Pedro é ímpar. De cima, da para visualizar várias cidades da região. Ainda falando sobre a história da serra do Pedro, todos os anos (antes da pandemia), no mês de junho, sempre no dia 28, véspera de São Pedro, é rezado um terço com essa vista panorâmica.
A capela de São Pedro, construída pelo genro do senhor Pedro Xingó, Odilon Barbosa, na década de 30, recebe sempre no dia 29 de junho, dia de São Pedro, uma grande multidão que sobe a serra montados em cavalos, jumentos, jegues, numa grande cavalgada, além de muitos motoqueiros que sobem a serra para também pagar suas promessas.
De qualquer forma, conhecer a serra do Pedro vale apena. No nosso caso, fomos fazer um estudo, mas para quem vai curtir o habitat tem um verdadeiro encontro com a natureza. É importante que todos que forem conhecer, não deixem lixo acumulado no local. Perguntamos: Você gostaria que alguém ao ir lhe visitar, deixasse lixo na sala da sua casa?

Até a próxima reportagem!

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Cláudio André

Cláudio André Santos, natural da cidade de Olho d'Água das Flores, sertão de Alagoas, formado em radiojornalismo, poeta, blogueiro, radialista profissional (Reg.3059 - DRT-PE), escritor. Tem doze livros de poesias e crônicas publicados. Premiado Pelo Ministério da Cultura em 2009 com o projeto Cultural Minha Imaginação é um Poema. Estudou além Radiojornalismo, Francês e Filosofia. Membro efetivo da Associação Alagoana de Imprensa (Reg.678). Fundador da Rádio Olho d'Água FM e Rádio Web News Olho d'Água, criador do Projeto Música na Escola, ex-seminarista. Show-man. Foi um dos fundadores e diretor-executivo da Associação de Blogueiros de Pernambuco (ABlogpe). Fundador do Sistema Online Poeta de Comunicação (Blog, Site, Studio, Lista telefônica, Rádio Web e TV Web). Trabalhou em mais de uma dezena de emissoras de rádio nos estados de AL, PE, SP. Tecnólogo em oratória, em técnicas de vendas e administração empresarial pelo SENAC. Tem várias premiações como repórter e blogueiro. Destaque na área do fotojornalismo. Criador do projeto ecológico/educativo Poeta Viagens e Aventura. Membro efetivo da FACUPIRA (Fundação Cultural de Palmeira dos Índios/AL), Ex-membro do Conselho Municipal de Saúde de Bom Conselho/PE. Colunista dos sites Tribuna do Sertão (P.dos Índios) e Tribuna do Agreste (Arapiraca) e 7 Segundos (Maceió). Ex-assessor de comunicação da Câmara de Vereadores de Bom Conselho/PE.

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