IGREJA DE NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO DO POVOADO PEDRÃO VAI COMPLETAR 146 ANOS DE CONSTRUÇÃO

Por Cláudio André, publicado em 17 de fevereiro de 2021

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A pedra do Céu, é um lajeiro de rocha granítica que ocupa cerca de 10 hectares de uma propriedade particular na região leste do município de Olho d’Água das Flores, sertão de Alagoas, lugar ideal para a prática do ecoturismo.

O povoado Pedrão é uma comunidade que deve ter aproximados 200 anos de existência, pois a igreja de Nossa Senhora da Conceição, foi construída no ano de 1875 (há 146 anos), pelo senhor Ponciano Machado Vilar, a pedido de uma amigo chamado de  Calixto Anastácio Silva, após chegar do Amazonas e ter contraído a doença malária, inclusive, a imagem foi trazida por Calixto da cidade de Penedo, cidade do Baixo São Francisco. Já no ano de 1925, a igreja passou por uma reforma e até hoje é utilizada pela comunidade católica do referido povoado, que fica há 06 km do centro da cidade de Olho d’Água das Flores.

Acima o altar da igreja de Nossa Senhora da Conceição do povoado Pedrão

O nome de Pedrão é o aumentativo de pedra, uma referência a PEDRA DO CÉU, pois um morador antigo da região, quando viu o lajeiro ficou admirado e exclamou, que Pedrão! Daí, o nome da comunidade ficou batizado de Pedrão. Para se ter ideia, antes de Olho d’Água das Flores, tornar-se distrito judiciário em 1948 e ser desmembrado de Santana do Ipanema em 1953, o povoado Pedrão já existia com feiras, festas e tornou-se numa comunidade de Quilombolas, já que negros fugidos do Quilombo dos Palmares após a Abolição das Escravatura (1888), chegaram a comunidade, fizeram suas OCAS (construídas com paredes de pau a pique e cobertura vegetal), porque os negros fugidos dos engenhos faziam morada nas matas, onde já viviam os nativos indígenas, e formavam os mocambos, como eram chamadas as comunidades quilombolas na época.

Essa roda gigante é o grande marco da industrialização no município de Olho d’Água das Flores, sertão de Alagoas. Esse maciço de ferro pertenceu a indústria de algodão do empresário Luís dos Anjos que contribuiu na geração de emprego e renda do município.

A composição das feições geomorfológicas apresentam-se das mais diversas formas no modelado superficial terrestre, que é essencialmente dinâmico, haja vista que se encontra sempre em transformação, assim está a pedra do Céu, passando por transformações devido ao intemperismo.

Os afloramentos rochosos são, por definição, a exposição de uma rocha na superfície da Terra, ou seja, quando parte de uma composição naturalmente interna se posiciona acima da camada dos solos, o que permite ou facilita o seu estudo. A pedra do Céu tem características em algumas partes como se há milhões de anos passou por um processo erosivo através da água. Há probabilidade que já foi o funde de um oceano.

Todo o lajeiro da Pedra do Céu tem cobertura de liquens. Os liquens são seres vivos muito complexos que constituem uma simbiose de um organismo formado por um fungo e uma alga ou cianobactéria. Alguns taxonomistas classificam os líquens na sua própria divisão, mas isso ignora o fato de que os componentes pertencem a linhagens separadas. Esses linquens aparecem de várias cores, onde os mais comuns são, alaranjados, cinzas, pretos e verdes…

Em toda a pesquisa que fiz desse atrativo turístico ecológico, podemos acrescentar a falta de evolução da flora e da fauna nos arredores. O que mais falta nessa área é proteção através de uma conscientização que vai dos responsáveis pela propriedade até os visitantes e frequentadores do habitat.

A pronúncia da denominação “A Pedra do Céu” são feitas, pelos habitantes, com certa reverência e de forma quase solene, de modo a expressar um reconhecimento de valor e atribuição de um significado que, pela falta de determinação explícita, envolve o monumento numa atmosfera de mistério. Por estar numa área aberta e por ser num rochedo com várias rochas soltas, eis a caracterização do nome que se deu ao lugar.

Os cactos são comuns em afloramentos rochosos devido a existência de água em suas fissuras. A macambira de facho e a macambira estrela da terra, são cactáceas que aderem facilmente a esse tipo de solo.

Geralmente no período de inverno a paisagem ainda é mais bonita devido aos matacões estarem a beira de uma marmita que na linguagem popular chama-se de caldeirões de “pedra”. Há muito o que estudar nesse local. Um projeto público-privado ajudaria muito ao discernimento do ecoturismo da região.

Segundo informes, a pedra do Céu, teria entrado na Rota da Caatinga, promovida pelo poder público estadual. Mas pelas últimas informações nada passou além do papel e do “oba, oba” de palanque.

Outras informações que tivemos é que margeando o lajeiro da Pedra do Céu, passará a obra hídrica intitulada de Canal do Sertão, que se arrasta por décadas. Esse jornalista era menino e ouvia falar nessa obra e passados meus 45 anos de idade, ainda ouço falar, igual a música do caviar… Bom, há uma preocupação por parte dos moradores do entorno da Pedra do Céu, é que há mangueiras centenárias que poderão ser cortadas para da lugar a essa obra hídrica do estado de Alagoas… Será que a comunidade do Pedrão vai deixar isso acontecer?

Por fim, já na volta do povoado Pedrão, encontrei uma cena singular, daquelas que você não ver por ai toda hora ou em qualquer lugar. Dois jumentos “encangados” transportando água para moradores da comunidade centenária do Gameleiro. Olha que desse local para o rio São Francisco fica a menos de 50 km de distância e pleno século XXI vemos situações de exílio rural.

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Cláudio André

Cláudio André Santos, natural da cidade de Olho d'Água das Flores, sertão de Alagoas, formado em radiojornalismo, poeta, blogueiro, radialista profissional (Reg.3059 - DRT-PE), escritor. Tem doze livros de poesias e crônicas publicados. Premiado Pelo Ministério da Cultura em 2009 com o projeto Cultural Minha Imaginação é um Poema. Estudou além Radiojornalismo, Francês e Filosofia. Membro efetivo da Associação Alagoana de Imprensa (Reg.678). Fundador da Rádio Olho d'Água FM e Rádio Web News Olho d'Água, criador do Projeto Música na Escola, ex-seminarista. Show-man. Foi um dos fundadores e diretor-executivo da Associação de Blogueiros de Pernambuco (ABlogpe). Fundador do Sistema Online Poeta de Comunicação (Blog, Site, Studio, Lista telefônica, Rádio Web e TV Web). Trabalhou em mais de uma dezena de emissoras de rádio nos estados de AL, PE, SP. Tecnólogo em oratória, em técnicas de vendas e administração empresarial pelo SENAC. Tem várias premiações como repórter e blogueiro. Destaque na área do fotojornalismo. Criador do projeto ecológico/educativo Poeta Viagens e Aventura. Membro efetivo da FACUPIRA (Fundação Cultural de Palmeira dos Índios/AL), Ex-membro do Conselho Municipal de Saúde de Bom Conselho/PE. Colunista dos sites Tribuna do Sertão (P.dos Índios) e Tribuna do Agreste (Arapiraca) e 7 Segundos (Maceió). Ex-assessor de comunicação da Câmara de Vereadores de Bom Conselho/PE.

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