PEDRA DA TARTARUGA, PEDRA DA GALINHA CHOCA, PEDRA DO CASTELO, PEDRA DA BARCA – AS FORMAÇÕES ROCHOSAS DA ECOFAZENDA MUNDO NOVO

Por Cláudio André, publicado em 4 de dezembro de 2020

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Nas minhas andanças pelo sertão sergipano, encontrei a Pedra do Gênio, uma formação rochosa de arenito, esculpida pela ação do intemperismo num formato parecido com a “lampada” do gênio, personagem mitológico que vemos nos filmes, desenhos e nos antigos gibis.

No norte de Sergipe, encontramos na Unidade de Conservação de Caatinga, dentro da propriedade denominada de Ecofazenda Mundo Novo, uma área de 2.187 tarefas, ou seja, 673 hectares de pura preservação ambiental. Na oportunidade, pude conhecer 09 sítios arqueológicos cheios de artes rupestres, onde em estudos já realizados no local, deriva-se uns 9 ou 12 mil anos que o homem primitivo esteve habitando.

Você quer chegar a esse local que tive o privilégio de conhecer? Basta deslocar-se ao município de Canindé de São Francisco/SE. A Ecofazenda Mundo Novo, fica na linha limítrofe de quatro estados brasileiros, Alagoas, Bahia, Pernambuco e Sergipe, as margens da rodovia SE – 230, km 183. Canindé/SE, fica distante 35 km ao sul e Paulo Afonso/BA, há 32 km ao norte.

As formações rochosas de arenito com desgaste físico e químico são milenares. Um trabalho lento da natureza, mas em compensação cheio de mistérios. Para conhecer essa área, é necessário o acompanhamento de um condutor de turismo local. Por falar nisso, tem na ecofazenda Mundo Novo, um camarada sensacional, que faz um grande trabalho e com rico conhecimento de fauna e flora, refiro-me ao condutor de turismo, Gustavo.

A cada passo que fomos dando no meio da caatinga, fomos encontrando cenários deslumbrantes, sensacionais, incríveis. Como um sertão daquele, onde o comum, o natural, é encontrar, arbustos, espinheiros, plantas nativas da caatinga, mas cheio de vida e história? Garanto que click não faltou! Foram mais de 300 imagens que registrei e que após um “pente fino”, selecionou umas para compartilhar com todos vocês.

A rocha sedimentar que você ver na imagem acima, a batizei de “pedra do Gênio“, já que a rocha com todo desgaste sofrido pelo intemperismo, está com formato de uma “lâmpada magica”. Os “gênios da lâmpada”, fazem parte de uma mitologia do oriente médio e esta teoria é baseada exatamente nesta mitologia. O gênios, sim você não leu errado (está no plural), nasceram a dois mil anos antes de Adão e eles possuíam uma alta posição no paraíso de Deus, eles eram seres criados por Deus assim como os anjos, porém, na hierarquia do paraíso os gênios estavam entre os anjos e os humanos.

Conta-se ainda que a fazenda serviu de abrigo ao bando de Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, na década de 1930, o mais famoso e importante cangaceiro, nesta época surgiu o cangaço que passou a ser conhecido e noticiado em todo território nacional. A propriedade foi adquirida em 1978 pelo Sr. José Augusto de Andrade Lima a qual pertence até os dias atuais, denominou-a de Fazenda Mundo Novo, atual Eco Fazenda Mundo Novo.

Uma outra formação rochosa de arenito, esculpida pelo intemperismo foi denominada de “pedra da Galinha Choca“. Quando você não ler, não pesquisa, não estuda, fica intrigado com tais formações, porém, quando vamos a procura de explicações, notoriamente encontramos por vários ângulos.

Embrenhar-se na caatinga, já estamos acostumados, mas temos sempre novas aprendizagens. O bioma caatinga, exclusivo do nosso País, é muito rico em diversidade. Não é fácil manter um território de quase 700 hectares preservados, é um grande desafio que o senhor José Augusto tem há mais de 04 décadas. Na localidade, por exemplo, a caça acontecia com frequência, pois na redondeza era prática comum, logo essa prática fora proibida pelo novo proprietário.

A “pedra da Tartaruga“, um rochedo sedimentar que ainda está em transformação. As rochas sedimentares são rochas formadas pela junção de detritos – chamados de sedimentos – oriundos da fragmentação de outras rochas.

Essa fragmentação da rocha acima ocorre graças à ação dos agentes externos ou exógenos de transformação do relevo, em um processo denominado por intemperismo. Apenas um dia não foi suficiente para conhecer toda a área da ecofazenda, mas foi possível visitarmos saímos com a certeza de que nós humano podemos conviver em harmonia com meio ambiente.

Na imagem acima, está uma formação de rocha sedimentar com a marca do homem pré-histórico, pinturas rupestres que sinalizam mais de 9 mil anos que foram cravadas na rocha. Elas estão intactas por que a natureza caprichou e fez naturalmente uma cobertura que as protege do vento e da água. A “pedra da Barca“, está dentro da área de preservação da ecofazenda Mundo Novo.

Você já ouviu falar na árvore JOÃO MOLE? Trata-se de uma árvore com atributos ornamentais que a credenciam para a arborização urbana, seus frutos são apreciados por diversas espécies de pássaros e sua madeira é utilizada na fabricação de cabos de ferramentas, caixotarias, forros entre outros.

Não tem aquela famosa frase que diz “água mole em pedra dura tanto bate que fura”… Pois bem, encontramos dentro da ecofazenda Mundo Novo, um rochedo sedimentar com um corte mais parecido com o mapa do Brasil. Percebemos que a cavidade foi resultado da ação da água e do vento, já que a rocha fica exposta ao vento e altas e baixas temperaturas.

Na caminhada com o condutor de turismo, Gsutavo, logo a batizei de “pedra da Moldura”, onde você pode fazer vários registros fotográficos de um lado para o outro da rocha. A natureza tem seus caprichos.

Parece de quando mais andávamos, mais ficávamos extasiados com tanta beleza natural, com tanta exposição de rochas acobertada pela vegetação de caatinga. O nome de Mundo Novo, foi muito propício ao ser colocado no lugar. Como falou o senhor José Augusto, proprietário da ecofazenda, “foi amor a primeira vista quando vislumbrou aquele pedaço de chão”. A “pedra do Castelo” supera as intempéries do tempo e continua majestosa.

O bioma caatinga, abrange 11% do território nacional, ocupando uma área de 844.453 Km². Apresenta clima semiárido e possui vegetação com poucas folhas e adaptadas para os períodos de secas, além de grande biodiversidade.

O condutor de turismo da ecofazenda, Gustavo, nos mostrou várias espécia de árvores nativas da caatinga, entre elas, o pé de “pau ferro”, que no passado serviu para tingir tecidos na cor preta, para uso de roupas para as viúvas.

Essa é a gruta que Lampião, Maria Bonita e os cangaceiros utilizavam na volta pelas suas andanças. Como na década de 30, o coronel alagoano, João Lessa, era dona dessas terras e tinha uma boa amizade por Lampião, logo, Virgulino sentia-se em casa, protegido das ações das “volantes” da época. Esse local era a sala de reuniões de Lampião e na parte superior dessa gruta existia um caldeirão natural, que no período chuvoso virava-se numa “banheira ao ar livre”, para Maria Bonita – a mulher do Capitão, se esbaldar em deliciosos banhos, com vista privilegiada da caatinga. É o que reza a história…

Quando você chega a ecofazenda Mundo Novo, você tem essa vista privilegiada dos cânions do Velho Chico. Conversando com o senhor José Augusto, atual proprietário, nos contou o seguinte: “A propriedade pertencia no passado ao Coronel João Lessa no final do século XIX, o qual residia em Penedo- AL, após sua morte nas primeiras décadas do século passado, sua esposa doou essas terras ao seu vaqueiro Antônio Feitosa como forma de pagamento pelo tempo de serviço prestado à sua família”. Ambos eram coiteiros de Virgulino Ferreira – Lampião.

A Caatinga ocupa a totalidade do estado do Ceará e parte do território de Alagoas, Bahia, Maranhão, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe. Os ecossistemas do bioma Caatinga encontram-se bastante alterados, com a substituição de espécies vegetais nativas por cultivos e pastagens. O desmatamento e as queimadas são ainda práticas comuns no preparo da terra para a agropecuária que, além de destruir a cobertura vegetal, prejudicam a manutenção de populações da fauna silvestre, a qualidade da água, e o equilíbrio do clima e do solo.

Na imagem acima está a região dos cânions do Velho Chico, vistos da ecofazenda Mundo Novo.

Turismo

Ecofazenda Mundo Novo – Sergipe

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Cláudio André

Cláudio André Santos, natural da cidade de Olho d'Água das Flores, sertão de Alagoas, formado em radiojornalismo, poeta, blogueiro, radialista profissional (Reg.3059 - DRT-PE), escritor. Tem doze livros de poesias e crônicas publicados. Premiado Pelo Ministério da Cultura em 2009 com o projeto Cultural Minha Imaginação é um Poema. Estudou além Radiojornalismo, Francês e Filosofia. Membro efetivo da Associação Alagoana de Imprensa (Reg.678). Fundador da Rádio Olho d'Água FM e Rádio Web News Olho d'Água, criador do Projeto Música na Escola, ex-seminarista. Show-man. Foi um dos fundadores e diretor-executivo da Associação de Blogueiros de Pernambuco (ABlogpe). Fundador do Sistema Online Poeta de Comunicação (Blog, Site, Studio, Lista telefônica, Rádio Web e TV Web). Trabalhou em mais de uma dezena de emissoras de rádio nos estados de AL, PE, SP. Tecnólogo em oratória, em técnicas de vendas e administração empresarial pelo SENAC. Tem várias premiações como repórter e blogueiro. Destaque na área do fotojornalismo. Criador do projeto ecológico/educativo Poeta Viagens e Aventura. Membro efetivo da FACUPIRA (Fundação Cultural de Palmeira dos Índios/AL), Ex-membro do Conselho Municipal de Saúde de Bom Conselho/PE. Colunista dos sites Tribuna do Sertão (P.dos Índios) e Tribuna do Agreste (Arapiraca) e 7 Segundos (Maceió). Ex-assessor de comunicação da Câmara de Vereadores de Bom Conselho/PE.

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