TURISMO ECOLÓGICO: O VELHO CHICO, O CANGAÇO E O SERTÃO NORDESTINO CHEIO DE HISTÓRIAS

Por Cláudio André, publicado em 28 de outubro de 2020

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O turismo rural é um segmento que vem crescendo no Brasil ao longo dos anos. O novo ramo visa a valorização de produtos locais e a movimentação da economia, apresentando ao visitante um roteiro que vai além dos tradicionais atrativos turísticos, podendo atrair, também, novos investimentos para a área onde se desenvolve. A rota do Cangaço tem participação significativa, porém falta fortalecimento da cadeia produtiva.

A história do cangaço sempre me fascinou. Virgulino Ferreira da Silva é um daqueles personagens brasileiros que até hoje deixam os estudiosos do tema descabelados com tanta informação desencontrada sobre a origem e o fim do périplo bandoleiro. Quanto mais lemos e pesquisamos sobre o Cangaço, mais perguntas sem respostas convincentes aparecem.

De cima da ponte que faz a divisa de Alagoas com Sergipe, fiz essa imagem. Os últimos quilômetros do Velho Chico até sua foz, há mais história para se contar do que todos outros trechos rio acima.

Dessa ponte vemos do lado direito, Sergipe, e do lado esquerdo, Alagoas, ambos se confundem com a história do Cangaço, pois na década de 30, o rei do Cangaço viveu seus últimos momentos de vida ao lado de sua amada Maria Bonita.

A rota do Cangaço é um passeio que tem base na cidade de Piranhas (Patrimônio Histórico Nacional), Alagoas. A partir desse trecho o rio é apenas navegável, onde os catamarãs e demais embarcações fazem deslocamentos em horário pré-definidos.

Os catamarãs são embarcações com uma maior estrutura, chegando a transportar até 100 pessoas e com uma equipe qualificada para da total apoio aos turistas que desejam conhecer a famosa grota de Angico, local onde Lampião, Maria Bonita e outros nove cangaceiros foram abatidos no ano de 1938.

Tenente João Bezerra não era considerado referência de coragem ou honestidade e havia sobre ele sérias suspeitas de colaborar com cangaceiros. Comandou o ataque a Angicos quase por acaso. Nessa casa de taipa, representa a mesma que o tenente e sua tropa se reuniu antes de chegar a grota de Angico antes de matar Virgulino Ferreira.

Esse é o rio São Francisco de tantas histórias e inspiração para tantas minisséries, livros e documentários. Quando você estar na região, é impressionante como o lugar é inspirador e fascinante.

Por alguns momentos, me senti um cangaceiro. A magia do cangaço se arrasta por décadas. Quanto mais se lê, mais você fica fascinado.

Conta a história que:

O tenente João Bezerra não era considerado referência nem de coragem nem de honestidade, conforme afirma o historiador americano Billy Jaynes Chandler no livro Lampião, o rei dos cangaceiros (editora Paz e Terra, 1980). Na verdade, conforme o autor, ele era acusado de colaboração com os cangaceiros.

As circunstâncias, porém, o levaram à posição de comandante da ofensiva que matou Lampião. Em abril de 1938, o bando de cangaceiros havia saqueado o povoado de Girau. Dono de um dos armazéns que foram alvo, Eloy Maurício  possuía a influente família. Valendo-se de contatos eclesiásticos – seu parente José Maurício era bispo – fez a queixa chegar ao Palácio do Catete.

Eliminar semelhante sinal de atraso era ponto de honra para o presidente Getúlio Vargas. Os estados estavam sob governos de interventores nomeados pelo presidente-ditador. E a pressão foi intensa sobre Alagoas. O comandante da campanha contra o cangaço era José Lucena, que esteve à frente do ataque que matou José Ferreira, pai de Lampião, 17 anos antes.

Lucena deu ultimato a Bezerra: tinha 30 dias para dar cabo de Lampião ou sofreria as consequências de sua deslealdade em relação à Polícia, conforme conta Chandler.

O tenente deu sorte. Um aliado de Lampião ouviu de um membro do bando que o cangaceiro estava na região e avisou ao sargento. Que, por sua vez, comunicou ao tenente. A localização exata foi fornecida por Pedro de Cândido, um dos aliados em que Virgulino mais confiava na região, e que foi ameaçado de morte imediata se não cooperasse.

Pegaram o bando de surpresa, na fazenda Angicos, ao nascer do dia. O combate não durou mais de 20 minutos. Lampião morreu com tiro de rifle. Em 3 de agosto de 1938, O POVO trouxe o relato do soldado que matou Maria Bonita, dizendo que a degolou ainda com vida. O corpo foi deixado com pernas abertas e um pedaço de madeira introduzido na vagina. Bezerra saiu ferido.

Espetáculo grotesco

À morte dos cangaceiros seguiu-se rito macabro. Os 11 foram decapitados e as cabeças foram levadas para Piranhas, como troféus. Os corpos sem cabeça foram abandonados e atraíram curiosos. Quando os ossos haviam já sido limpos pelos urubus, foram levados pelas chuvas para o São Francisco.

As cabeças exibidas em Piranhas foram requisitadas pelas autoridades em Maceió. Chegaram já em decomposição avançada. Em exibição na capital alagoana, foi requisitada por vários centros de estudos, inclusive em Berlim. Acabaram indo ao Instituto Nina Rodrigues. Na época, era moda o estudo do tipo físico em busca de alguma predisposição ao crime. Além disso, por muitos anos as cabeças foram atração no museu da instituição. Só em 1969 as cabeças foram enterradas no cemitério de Quintas, numa colina de Salvador.

FONTE: Jornal O Povo

 

 

De Sergipe fui a Bahia. Ai está a pedra da Caçamba, formação rochosa de arenito, localizada no sítio Circo Velho em Santa Brígida.

Na serra do Galeão, também em Santa Brígida, norte baiano, encontramos essa caverna que serve de ponto para rituais religiosos.

É viajando por esses sertões que vamos aprendendo e contanto história.

Essa reportagem tem o patrocínio de Premol

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Cláudio André

Cláudio André Santos, natural da cidade de Olho d'Água das Flores, sertão de Alagoas,formado em radiojornalismo, é poeta, blogueiro, radialista profissional (Reg.3059 - DRT-PE) e escritor. Tem doze livros de poesias e crônicas publicados. Premiado Pelo Ministério da Cultura em 2009 com o Projeto Cultural Minha Imaginação é um Poema. Estudou além Radiojornalismo, Francês e Filosofia. Membro efetivo da Associação Alagoana de Imprensa (Reg.678). Fundador da Rádio Olho d'Água FM, criador do Projeto Música na Escola e ex-seminarista. Show-man. Foi um dos fundadores e diretor-executivo da Associação de Blogueiros de Pernambuco (ABlogpe). Fundador do Sistema Online Poeta de Comunicação (Blog, Site, Studio, Lista telefônica, Rádio Web e TV Web). Trabalhou em mais de uma dezena de emissoras de rádio nos estados de AL, PE, SP. Tecnólogo em oratória, em técnicas de vendas e administração empresarial pelo SENAC. Tem várias premiações como repórter e blogueiro. Destaque na área do fotojornalismo. Criador do projeto ecológico/educativo Poeta Viagens e Aventura.

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