OS ABRIGOS ROCHOSOS E A EROSÃO QUE ESTÁ ATINGINDO A CACHOEIRA DO POÇO ESCURO DE BOM CONSELHO/PE

Por Cláudio André, publicado em 21 de maio de 2020

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Do alto da serra das Cancelas, tivemos essa vista privilegiada do Vale do Salgadinho, zona rural de Bom Conselho.

Cânions são vales profundos com encostas quase verticais, que podem se estender por centenas de quilômetros e atingir até 5 mil metros de profundidade. O vale do Salgadinho tem esse aspecto pela sua dimensão e localização geográfica.

Na trilha que fizemos rumo a cachoeira do Poço Escuro, descobrimos que existem várias grotas que no período de chuva jogam muita água no riacho do Salgadinho, criando várias quedas d’água. Com muita chuva é praticamente impossível ficar nesse lugar onde fiz a imagem.

A vegetação ripária é um tipo de vegetação presente em espaços próximos a corpos da água, isto é, na zona ripária. Pode assumir fisionomia campestre ou florestal e, neste último caso, é chamada mata ripária. Inclui vários subtipos, entre eles, a mata ciliar, a mata ripária, a mata de galeria, a mata paludosa, etc.

As matas (ou florestas) ciliares é um tipo de vegetação que circunda os cursos de água (rios, lagos, riachos, córregos, etc.). Recebe esse nome pois está associado aos cílios, os quais protegem nossos olhos. Esse é o tipo de vegetação em todo leito do riacho Salgadinho que nasce no pé da serra Grande, norte de Bom Conselho e segue destino ao estado de Alagoas, mais precisamente para o município de Estrela de Alagoas.

Em geral, os cânions têm um aprofundamento lento, que pode durar milhões de anos. Os autores principais dessas obras de arte são os rios. O vale do Salgadinho não deixa de ser um grande cânion que pode ter sido no passado, há milhões de anos um rio navegável.

Impressiona a formação rochosa existente no riacho do Salgadinho. A água que escorre realmente é salgada, motivando ainda mais o nome do lugar.

A mata ciliar toma de conta de todo o curso do riacho do Salgadinho. Entre as rochas que ficam no leito do riacho existem muitas poças d’água, inclusive com a presenças de pequenos peixes que se reproduzem em água salgada.

 

A mata ciliar possui grande importância para o equilíbrio do ecossistema, evitando o assoreamento dos rios, bem como a erosão fluvial, visto que auxiliam no processo de umidificação do solo, equilíbrio dos fluxos de água e dos nutrientes.

A erosão aos poucos está tomando mais espaço do poço que da origem ao nome da cachoeira de Poço Escuro. O escuro está relacionado a qualidade da água que desce pelas rochas e se acumulam num espaço de pouco mais de 20 metros quadrados.

Uma clareira foi aberta em dois lados opostos da cachoeira, resultado das fortes chuvas que caíram na região. Muita vegetação com argila e troncos desceram serra abaixo, entupindo pelo menos uma parte da cachoeira.

As rochas graníticas que ficam no entorno da cachoeira do Poço Escuro estão muito desgastadas, resultado do intemperismo físico e químico que vem ocorrendo ao longo do tempo. Se continuar como está a situação, provavelmente haverá desmoronamento e deixa claro evidência de soterramento da cachoeira.

Por esse ângulo da-se a impressão que a cachoeira é pequena, mas quem vai ao local percebe suas dimensões. Quem se aventura em fazer rappel, o atrativo da essa oportunidade.

Muitos abrigos rochosos como esse acima você encontra no leito do riacho do Salgadinho. Tudo isso está incluso nos últimos metros do Planalto da Borborema.

As formações rochosas surgem principalmente devido à ação das águas da chuva. Parte delas se infiltra pelas áreas mais permeáveis e outra parte escorre pela superfície em direção aos terrenos mais baixos, formando pequenos filetes que, à medida que se juntam, criam fios maiores, pequenos riachos e, finalmente, rios.

Esse abrigo rochoso no leito do riacho do Salgadinho e há poucos metros da cachoeira do Poço Escuro, evidencia que nesse local, além de encontrar morcegos, espécie que gosta de locais escuros e frios, conota-se a passagem do homem primitivo que viveu na região há muitos anos passados.

Na volta, fomos premiados com um lindo arco-íris que surgiu em um dos grotões que compõe o Vale do Salgadinho. É como se a natureza falasse conosco silenciosamente.

Por alguns instantes, me senti um nômade, onde a única companhia era a natureza. Esse abrigo dentro do riacho, pode proporcionar a algum visitante fazer uma morada intermitente, protegendo-se das intempéries do tempo.

AGUARDEM A PRÓXIMA REPORTAGEM!

Agradecimentos aos amigos patrocinadores e apoiadores do projeto Poeta Viagens e Aventura, Marcos Guedes, Arnóbio Gomes, Rogério Bezerra e Rafaella Cordeiro.

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Cláudio André

Cláudio André Santos, natural da cidade de Olho d'Água das Flores, sertão de Alagoas,formado em radiojornalismo, é poeta, blogueiro, radialista profissional (Reg.3059 - DRT-PE) e escritor. Tem doze livros de poesias e crônicas publicados. Premiado Pelo Ministério da Cultura em 2009 com o Projeto Cultural Minha Imaginação é um Poema. Estudou além Radiojornalismo, Francês e Filosofia. Membro efetivo da Associação Alagoana de Imprensa (Reg.678). Fundador da Rádio Olho d'Água FM, criador do Projeto Música na Escola e ex-seminarista. Show-man. Foi um dos fundadores e diretor-executivo da Associação de Blogueiros de Pernambuco (ABlogpe). Fundador do Sistema Online Poeta de Comunicação (Blog, Site, Studio, Lista telefônica, Rádio Web e TV Web). Trabalhou em mais de uma dezena de emissoras de rádio nos estados de AL, PE, SP. Tecnólogo em oratória, em técnicas de vendas e administração empresarial pelo SENAC. Tem várias premiações como repórter e blogueiro. Destaque na área do fotojornalismo. Criador do projeto ecológico/educativo Poeta Viagens e Aventura.

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