AS PINTURAS RUPESTRES DO MORRO DO ANGU DO MUNICÍPIO DE ÁGUAS BELAS

Por Cláudio André, publicado em 5 de fevereiro de 2020

O verdadeiro símbolo do sertão… Casa de barro misturada com alvenaria, rochas, cactos, seca, torrão… Esse cenário encontrei na zona rural de Águas Belas, terra dos índios Funiô.

Cada pintura rupestre tem um significado. Os homens primitivos se comunicavam pela pintura. Eram nômades que viviam em pleno contato com a natureza.

Na produção das pinturas nas paredes das cavernas, os povos da antiguidade utilizavam sangue de animais, pedaços de rochas, ossos, argila, saliva, restos de vegetais, sedimentos…

Essa pintura rupestre que encontrei na zona rural do município de Águas Belas, caracteriza um embrião. Se não haver um zelo pelo local, em pouco tempo isso desaparecerá, pois está exposto as intempéries do tempo.

A pintura rupestre até hoje não tem afirmação definitiva dos reais objetivos, mas acredita-se que era utilizada para ilustrar tarefas do dia a dia: caça, ritual, animais, etc. Pois além do início da era da pedra e ossos, o descobrimento de tintas a base de frutas e sangue de animais para pintura

No agreste meridional de Pernambuco, encontrei em três municípios pinturas e gravuras rupestres. As gravuras e pinturas no município de Iati e somente pinturas em Venturosa e Águas Belas. Já no sertão do Pajeú, na zona rural de Flores. São demonstrações da existência do homem pré-histórico em nossa região.

Cada pintura dessa tem um significado. O que mais vemos é desprezo pela história. Uma hipótese de significado ligada às cenas de caça, por exemplo, é a de que, ao pintar-se como um caçador e também imprimir na parede o animal que seria seu alvo, o homem primitivo já estaria atacando sua presa.

Considera-se que Arte Rupestre é o nome dado para as mais antigas representações pictóricas conhecidas, realizadas em cavernas, grutas ou ar livre, e é considerada a expressão artística mais antiga da humanidade, enquanto que a arte indígena, de forma geral é considerada como a arte produzida pelos povos nativos do Brasil, independente da colonização: “A arte já existia em nossas terras bem antes da chegada dos portugueses, em 1.500.

Enquanto a Arte Rupestre está ligada à gravação ou pintura sobre as rochas, independente da técnica utilizada, a Arte Indígena é mais complexa, e envolve pintura corporal, arte plumária, dança, canto, cerâmica e trançado. Em síntese, mesmo sabendo que o município de Águas Belas tem pura influência indígena, as pinturas rupestres que encontrei no sítio arqueológico Morro do Angu, não obras dos indígenas e sim, dos homens pré-histórico que viveram há milhares de ano na região.

A pequena caverna que se forma com o escoramento de um aglomerado de rochas, da a entender que ali serviu de esconderijo não somente para animais, mas para nômades há muito tempo atrás.

Os homens pré-históricos viviam em pequenos bandos; caçavam e pescavam e também colhiam frutos. Fabricavam instrumentos de osso ou de pedra lascada e abrigavam-se em cavernas ou choças. Por alguns instantes pude ter essa sensação de homem pré-histórico.

 

Enquanto a Arte Rupestre está ligada à gravação ou pintura sobre as rochas, independente da técnica utilizada, a Arte Indígena é mais complexa, e envolve pintura corporal, arte plumária, dança, canto, cerâmica e trançado. 

O possível aspecto mágico-religioso das pinturas rupestres sobrevive na Arte Indígena, principalmente através das pinturas corporais, confecção de máscaras e demais objetos em contextos ritualísticos, muitas vezes com mais de um significado contextual; indo de um artefato produzido pelo homem comum até a figura viva do ser sobrenatural que representam e da mesma forma nota-se que ainda sobrevive a noção do coletivo “a arte indígena é mais representativa das tradições da comunidade em que está inserida do que da personalidade do indivíduo que a faz”.

A Arte Indígena e a Arte Rupestre são formas de expressão distintas, obviamente com estreitos laços parentais. Laços estes que também se estendem ao Barroco tendo por base o contexto ao qual se inseriram, embora neste caso, pouca (ou nenhuma) ligação seja feita através do senso comum.

Enfim, encerrando minha passagem pelo município de Águas Belas. Voltei ao meu habitat com muito mais história para contar. Mais uma grande experiência. A pedra Montada e o sítio arqueológico Morro do Angu, merece mais voltas. A região toda é muito privilegiada.

Mais sobre:

Cláudio André

Cláudio André Santos, natural da cidade de Olho d'Água das Flores, sertão de Alagoas,formado em radiojornalismo, é poeta, blogueiro, radialista profissional (Reg.3059 - DRT-PE) e escritor. Tem doze livros de poesias e crônicas publicados. Premiado Pelo Ministério da Cultura em 2009 com o Projeto Cultural Minha Imaginação é um Poema. Estudou além Radiojornalismo, Francês e Filosofia. Membro efetivo da Associação Alagoana de Imprensa (Reg.678). Fundador da Rádio Olho d'Água FM, criador do Projeto Música na Escola e ex-seminarista. Show-man. Foi um dos fundadores e diretor-executivo da Associação de Blogueiros de Pernambuco (ABlogpe). Fundador do Sistema Online Poeta de Comunicação (Blog, Site, Studio, Lista telefônica, Rádio Web e TV Web). Trabalhou em mais de uma dezena de emissoras de rádio nos estados de AL, PE, SP. Tecnólogo em oratória, em técnicas de vendas e administração empresarial pelo SENAC. Tem várias premiações como repórter e blogueiro. Destaque na área do fotojornalismo. Criador do projeto ecológico/educativo Poeta Viagens e Aventura.

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