CASARÃO DA FLORESTA – UMA ANTIGA FAZENDA PRODUTORA DE CAFÉ DO SÉCULO XVIII EM BOM CONSELHO

Por Cláudio André, publicado em 13 de novembro de 2019

O município de Bom Conselho até a década de 90 passou pelo ciclo do café, quando o plantio foi sendo trocado pelas pastagens nos cercados, com o intuito de engordar o gado. Mas, ficaram as lembranças, as histórias e os casarões que foram grandes construções do século XVIII.

Esse é o Casarão da Floresta localizado na zona rural de Bom Conselho, próximo ao distrito de Rainha Isabel, que no passado foi um engenho de cana-de açúcar e posteriormente tornou-se numa fazenda produtora de café.

Vamos a história… Em contato com o senhor José Antônio Gonçalves, mais conhecido por Gonçalvinho, grande latifundiário da terra de Papacaça, nos contou o seguinte: “No ano de 1973, o advogado e fiscal de renda, Dr, José Gonçalves, comprou do senhor Arlindo Lima, primo do coronel José Abílio, a fazenda Floresta e Grotão, porém,  já existia esse casarão que serviu de engenho e fazenda produtora de café”.

Ainda dialogando com o simpático e educado senhor Golçalvinho e seu filho Gonçalves Neto, tivemos a informação de quem construiu esse casarão. Segundo eles, foi o senhor Lourenço Lima Tenório, pai do senhor Arlindo, que vendeu por 60 contos de réis a fazenda ao Dr. José Gonçalves.

A origem do café no Brasil encontra-se no século XVIII. As primeiras mudas de café foram plantadas ainda pelos idos de 1720, na província do Pará. A pessoa que teria trazido as primeiras sementes do café para o Brasil foi Francisco de Melo Palheta, após viagem à Guiana Francesa.

Quem vai conhecer esse casarão fica admirado com sua estrutura. A madeira é a mesma que foi usada na construção do casarão há mais de um século. São vários os cômodos, paredes de tijolo dobrado, piso de tijolos cru e no primeiro andar todo o piso é de madeira de lei.

Por esse ângulo de uma das janelas do primeiro andar, vemos a cobertura original da parte do piso inferior. São telhas pesadas e resistentes ao longo do tempo. A fauna do lugar é muito rica, além de espécie de pássaros em extinção, você encontra animais, tipo, raposa, lobo-guará, gato do mato e gato maracajá, tatu, tamanduá-mirim, além de vários tipos de cobra, como por exemplo, jibóias, cascavéis, salamantas…

O casal Nivaldo Justo Pinto e Maria Helena Marques da Silva, são os únicos habitantes que residem ao lado do casarão há 46 anos. Eles sabem de toda a história do casarão da Floresta/Grotão. Coladas no casarão existem 07 casas pequenas, que eram de moradores da época quando a fazenda Floresta era um engenho.

Conta a história que os barões do café eram grandes fazendeiros, muito ricos e diante da sua riqueza e popularidade, eles tornaram-se barões ou grandes cafeicultores daquela época. Próximo desse casarão tem uma reserva de mata atlântica onde a flora e a fauna tem suas riquezas.

O Casarão da Floresta, tornou-se engenho diante da produção de cana-de-açúcar, inclusive, ainda há peças que retratam essa época. Com a falta de regularidade das chuvas provocou o desequilíbrio na produção de café, ficando apenas os casarões, algum maquinário e as histórias para contar.

A crise da produção de café no Brasil foi de 29 de outubro de 1929  a dezembro de 1939. É provável que esse casarão quando foi construído ainda no século XVIII foi o auge do senhor Lourenço como cafeicultor. Quando o senhor Arlindo, vendeu o casarão por 60 contos de réis, é sinal que não tinha mais interesse pela produção do engenho. Vejam que esses azulejos nas paredes retrata o poderio dos senhores de engenho, por que as peças eram caras para a época.

A conversa com os amigos Gonçalves Neto e Gonçalvinho, foi muito próspera. Agradeço a atenção que foi dispensada ao nosso trabalho. O casarão dos Gonçalves no sítio Pacas (por que no passado existia Pacas, eis o motivo do nome do lugar), e o casarão da Floresta e Grotão, estão dentro de uma mesma área de preservação de mata atlântica. A propriedade hoje chega aos seus 400 hectares, tem mata protegida, com árvores centenárias, como por exemplo, sucupira, murici, frei Jorge, amarelo e tantas outras.

Quem tiver interesse de conhecer o centenário Casarão da Floresta, deve entrar em contato com a redação do Blog do Poeta pelo whatsApp (87) 9 8114-3061.

Com a permissão dos proprietários, podemos visitar e conhecer esse atrativo turístico rural do município de Bom Conselho. O turismo pedagógico tem papel fundamental para divulgar os locais que potencial turístico na terra de Papacaça.

 

SAIBA MAIS!

café foi descoberto por um pastor de cabras etíope que notou que seu rebanho ficava muito alegre depois de comer as frutinhas avermelhadas de uma determinada árvore. Ele resolveu experimentá-las também, e descobriu o poder estimulante do café.

Mais sobre:

Cláudio André

Cláudio André Santos, natural da cidade de Olho d'Água das Flores, sertão de Alagoas,formado em radiojornalismo, é poeta, blogueiro, radialista profissional (Reg.3059 - DRT-PE) e escritor. Tem doze livros de poesias e crônicas publicados. Premiado Pelo Ministério da Cultura em 2009 com o Projeto Cultural Minha Imaginação é um Poema. Estudou além Radiojornalismo, Francês e Filosofia. Membro efetivo da Associação Alagoana de Imprensa (Reg.678). Fundador da Rádio Olho d'Água FM, criador do Projeto Música na Escola e ex-seminarista. Show-man. Foi um dos fundadores e diretor-executivo da Associação de Blogueiros de Pernambuco (ABlogpe). Fundador do Sistema Online Poeta de Comunicação (Blog, Site, Studio, Lista telefônica, Rádio Web e TV Web). Trabalhou em mais de uma dezena de emissoras de rádio nos estados de AL, PE, SP. Tecnólogo em oratória, em técnicas de vendas e administração empresarial pelo SENAC. Tem várias premiações como repórter e blogueiro. Destaque na área do fotojornalismo. Criador do projeto ecológico/educativo Poeta Viagens e Aventura.

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