O CEMITÉRIO DE 200 ANOS DA CIDADE DE FLORES/PE

De Cláudio André, publicado em 14 de julho de 2019

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A cidade de Flores, localizada no sertão do Pajeú, tem 161 anos de fundação, mas tem um cemitério com pelo menos dois séculos de existência, obra idealizada pelo padre Ibiapina. A cidade tem três cemitérios, esse é o primeiro da história. Ele está localizado as margens do rio Pajeú. Numa enchente passada, parte do cemitério foi levada pelas águas do rio.
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Os túmulos do cemitério histórico de Flores tem uma engenharia diferenciada. Há muito mistério em torno de sua história. Ainda tem restos mortais, entre eles, padres, autoridades do século XVIII. O padre Ibiapina faleceu no dia 19 de fevereiro de 1883, aos 76 anos de idade, na cidade de Solânea/PB.
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O cemitério mais antigo da cidade de Flores que fica no sertão do Pajeú, segundo historiadores, foi uma construção do padre Ibiapina, figura importante nesse reduto sertanejo. O padre teve decepção, abandonou a vida civil para seguir o catolicismo.
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Conta-se a história que esse cemitério bi-centenário foi uma obra idealizada pelo padre Ibiapina, tido como um revolucionário pela Igreja Católica.
José Antônio de Maria Ibiapina, foi um padre católico brasileiro, natural de Sobral no Ceará. Homem culto, filho de Francisco Miguel Pereira e Teresa Maria de Jesus, formou-se em Direito, tendo ocupado cargos na magistratura e na Câmara dos Deputados.
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por Lúcia Gaspar
Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco
José Antônio Pereira Ibiapina nasceu no dia 5 de agosto de 1806, em Sobral, Ceará, filho de Francisco Miguel Pereira e Teresa Maria de Jesus.
Com a mudança da família para Icó, em 1816, passou a estudar na escola particular do professor José Felipe, iniciando assim sua educação formal.
Agricultor em Sobral, seu pai foi exercer a função de tabelião público em Icó, sendo convidado, em 1919, para ocupar o mesmo cargo na  Comarca do Crato, onde Ibiapina frequentou aulas de religião com o vigário José Manuel Felipe Gonçalves.
Na cidade de Jardim, Ceará, estudou latim com o mestre Joaquim Teotônio Sobreira de Melo e terminou o curso de humanidades, sendo então considerado apto para o Seminário de Olinda, em Pernambuco, onde ingressou em 1823, aos 17 anos de idade, com o objetivo de se tornar padre.
Com a morte do pai – fuzilado em praça pública, no dia 7 de maio de 1825, em Fortaleza, por ter participado da revolução conhecida como Confederação do Equador – Ibiapina teve que voltar ao Ceará para assumir e manter financeiramente a família, tendo que interromper seus estudos.
Segundo alguns pesquisadores, foi nessa época que ele adotou o sobrenome Ibiapina, uma homenagem do pai à povoação de São Pedro de Ibiapina, assim como outros confederados o fizeram, homenageando outros locais da região.
Em 1828, matriculou-se novamente no Seminário de Olinda, sendo aprovado para o curso de Ciências Jurídicas e Sociais de Pernambuco, passando a morar no Mosteiro de São Bento, em Olinda. Após uma brilhante trajetória, formou-se em Direito, bacharelando-se no final de 1832.
Após a conclusão do curso, seu nome foi indicado para ser professor de Direito Natural, por proposta unânime da congregação dos professores.
Para aproveitar o período de férias escolares viajou então para rever a família e amigos no Ceará, ocasião em que conheceu Carolina Clarence, por quem se apaixonou, marcando casamento para o próximo período de férias.
Estava no exercício do magistério como professor substituto de Direito Natural na faculdade de Olinda, quando foi eleito Deputado Geral, para representar o Ceará na Assembléia Legislativa Nacional, no Rio de Janeiro.
Depois do encerramento do ano letivo, viajou para Fortaleza com o objetivo de casar e resolver sua nova moradia no Rio de Janeiro. Ao chegar, no entanto, constatou que sua noiva havia fugido e casado com o primo Antônio Sucupira.
Em dezembro de 1834, após o encerramento do período legislativo no Rio de Janeiro, volta à Fortaleza, sendo nomeado Juiz de Direito e Chefe de Polícia da Comarca de Campo Maior (hoje Quixeramobim), no Ceará.
Em 1835, retorna ao Rio de Janeiro para reassumir o parlamento como deputado, onde permaneceu até 1837, ano em que desistiu da vida política, passando a exercer a advocacia no Recife.
Em 1838, foi convidado a advogar na Vila Real do Brejo de Areia, na Paraíba, fixando residência permanente no Recife somente a partir de 1840, quando instalou um escritório de advocacia, no Pátio do Carmo, tendo advogado na cidade por dez anos. Foi considerado um dos mais conceituados advogados do Recife e conhecido como defensor dos pobres.
A partir de 1850, no entanto, resolveu abandonar a carreira e passou a morar numa pequena casa no sítio Caxangá, no Recife.
Dedicou-se a rezar, meditar, estudar teologia e filosofia, além de fazer caridade. Três anos depois, resolveu seguir o sacerdócio, ordenando-se em julho de 1853, aos 47 anos de idade, como Padre Ibiapina .
Celebrou sua primeira missa na Igreja da Madre de Deus, no Recife. Foi nomeado vigário geral e doou tudo que possuía demonstrando o desapego aos bens materiais. Seus livros de Direito foram doados ao curso jurídico de Olinda
Em 1854, por decreto Imperial, foi nomeado lente de Eloquência Sagrada do Seminário de Olinda, tornando-se professor de História Sagrada e Eclesiástica da instituição, em janeiro de 1855. No dia 8 de dezembro desse mesmo ano, alterou seu nome para José Antônio de Maria Ibiapina, em homenagem à Imaculada Conceição de Maria.
Em 1866, foi nomeado Visitador Diocesano da Paraíba com a tarefa de visitar e supervisionar as atividades da Igreja católica naquela província.
Foi então que ele, aos 60 anos de idade, deixou sua carreira de professor  para começar seu trabalho missionário, percorrendo mais de 600 km pelas províncias do Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco.
Sempre de batina, a pé ou a cavalo, pregava, aconselhava e levava o conforto por meio da palavra para o povo sofrido do sertão nordestino.
Organizou missões, construiu capelas, igrejas, açudes, cacimbas, poços, cemitérios, hospitais e chegou a fundar mais de vinte Casas de Caridade para moças órfãs carentes, onde elas recebiam educação religiosa e moral, aprendiam a ler, escrever e trabalhos domésticos, além de terem assistência à saúde.
Uma de suas máximas espirituais era: Depois do temor a Deus, o meio mais poderoso que tem o pai e a mãe de família para conservar a família em boa moral, na obediência e ordem regular, é o trabalho constante e forte.
Para alguns pesquisadores ele está incluído na categoria dos iluminados, pessoas que sempre lutaram por um ideal de trabalho e fé.
Foi ponte entre a Igreja e o povo pobre do Nordeste brasileiro, construindo uma obra missionária significativa e respeitada, partilhando água, alimento e abrigo com doentes, mendigos e retirantes, levando sempre uma palavra de conforto para aqueles que precisavam.
O Padre Ibiapina faleceu no dia 19 de fevereiro de 1883, na Casa de Caridade Santa Sé, na Paraíba.
Recife, 27 de julho de 2011.
Atualizado em 21 de fevereiro de 2017.

Mais sobre:

Cláudio André

Cláudio André Santos, natural da cidade de Olho d'Água das Flores, sertão de Alagoas,formado em radiojornalismo, é poeta, blogueiro, radialista profissional (Reg.3059 - DRT-PE) e escritor. Tem doze livros de poesias e crônicas publicados. Premiado Pelo Ministério da Cultura em 2009 com o Projeto Cultural Minha Imaginação é um Poema. Estudou além Radiojornalismo, Francês e Filosofia. Membro efetivo da Associação Alagoana de Imprensa (Reg.678). Fundador da Rádio Olho d'Água FM, criador do Projeto Música na Escola e ex-seminarista. Show-man. Foi um dos fundadores e diretor-executivo da Associação de Blogueiros de Pernambuco (ABlogpe). Fundador do Sistema Online Poeta de Comunicação (Blog, Site, Studio, Lista telefônica, Rádio Web e TV Web). Trabalhou em mais de uma dezena de emissoras de rádio nos estados de AL, PE, SP. Tecnólogo em oratória, em técnicas de vendas e administração empresarial pelo SENAC. Tem várias premiações como repórter e blogueiro. Destaque na área do fotojornalismo. Criador do projeto ecológico/educativo Poeta Viagens e Aventura.

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