CONFRONTO ENTRE PADRE E MAJOR CONSTRÓI HISTÓRIA DE TAVARES/PB

De Cláudio André, publicado em 25 de junho de 2019

Em todo o município de Tavares/PB, é fácil encontrar lajedos, rochas com geoformas diferenciadas, enfim, um rico potencial turístico em pleno sertão paraibano. A história do município remonta ao século passado quando o padre Francisco Tavares, chegou a região, então habitada por umas 8 de famílias. Ao examinar a fertilidade da terra e suas condições climáticas de um sertão promissor, resolveu fazer paradeiro nesse lugar e lutar pelo ideal de povoar uma vila.

O município está incluído na área geográfica de abrangência do semiárido brasileiro, definida pelo Ministério da Integração Nacional em 2005. Esta delimitação tem como critérios o índice pluviométrico, o índice de aridez e o risco de seca. Na foto acima, está um dos caldeirões com acúmulo d’água da última chuva que caiu na região.

A temperatura média anual varia entre 22 e 23 °C, sendo registradas temperaturas mínimas mensais de 17°C e máximas mensais de 27°C, sendo, geralmente, junho e julho os meses mais frios e dezembro e janeiro os mais quentes. O lajedo Bonito já fica beirando com a divisa de Pernambuco, mais precisamente com a região do sertão do Pajeú.

Tavares, apresenta clima quente e semiárido, com chuvas de verão-outono e um período de estiagem de cinco a sete meses, apresentando uma precipitação pluviométrica média anual de 778,2 mm, sendo que o período chuvoso compreende, geralmente, os meses de fevereiro a junho, quando, então, se inicia a estação seca, a qual perdura até o mês de novembro, época das primeiras trovoadas.

As minhas viagens não se configuram em tão somente fazer selfs, mas conhecer as realidades de cada município nordestino. Durante nossa visita a zona rural de Tavares/PB, vamos ouvindo histórias e relatos dos habitantes desses lugarejos. Consigo tenho adquirido muita experiência e conhecimento geográfico, cultural e histórico.

Os dados dos últimos censos do Instituto Brasileiro de Pesquisa e Estatística – IBGE, apontam que a população majoritária habita as áreas ‘oficialmente’ rurais do município, muito embora, desde a década de 80 do século XX, se observe um declínio desta população e, concomitantemente, o crescimento da população que reside nas áreas urbanas, movimento este que acompanha a tendência regional e que está relacionado à busca de bens e serviços como postos médicos, escolas, bancos etc.; por parte da população rural.

Nesse lugar bonito, cravado no torrão paraibano, ouvi muitas histórias, como por exemplo, que a pirâmide social no município é assim composta: abaixo, estão os pobres, os despossuídos, os moradores das pontas de ruas; são mulheres chefes do lar, cujos maridos não mais existem, seja por motivo de morte, seja por abandono da casa: são lavadeiras, engomadeiras, as que buscam sustento para si e para os filhos que ficaram, “ajudando” nas casas de “família”, são pais de famílias que vivem do alugado, do bico: ajudante de pedreiro; vendedores de ovos, galinhas; carrinhos de pipoca, confeitos; são os que nada têm,nada possuem e cujos filhos, crianças ainda, passam o dia de porta em porta a mendigar uma comidinha para si e para os seus outros irmãos; são rapazes, os ajudantes de armazéns, das madeireiras, das casas de construção.

 

Para dirimir dúvidas, lajeiro e lajedo são a mesma coisa, ou seja, é afloramento de rochas à superfície do solo, de extensão variada; lajeado = piso, lajedo. Dizer que estive conhecendo o sítio Lajedo Bonito está dentro do contexto da pesquisa.

Descobri também enquanto o sol começava a se esconder por trás das serras, que os comerciantes mais solidificados no município foram os que conseguiram firmarem-se como atravessadores, tanto na época do algodão quanto no ciclo do feijão, culturas que tiveram seu ponto alto no município, a primeira, nas primeiras décadas do século XX e, a segunda, nas últimas décadas daquele mesmo século, época em que a cidade era conhecida como a “terra do feijão”.

A vegetação originária do município de Tavares era dominada pelas Caatingas que são formações vegetais de porte variáveis, caducifólias de caráter xerófilo com grande quantidade de plantas espinhosas e que possuem formas comuns de resistência à carência de água. Mas, as rochas sedimentares diante do gigantismo que se apresentam, embelezam ainda mais o cenário do sertão paraibano.

As crianças do sítio Lajedo Bonito, tem sua praia própria. Imagine que é a emoção do banho nesses caldeirões naturais. Água acumulada da chuva, raios do sol batendo na pele, sossego, longe de tudo que há de novidade na área urbana, é indescritivelmente uma sensação de liberdade e tanto!

No entorno do lajedo Bonito moram famílias carentes, que não tem o conforto da cidade grande, quer dizer, é nesse local rústico, simples e em pleno contato com a natureza, que eles são felizes.

Diz a história do lugar que por volta de 1870, o padre Francisco Tavares, confrontou-se com o senhor Major Florentino, da região do Mixila (Sítio), que tivera, também, o propósito de formar um vilarejo na região de origem, contra as bênçãos e as ideias do padre, chegando a fundar uma feira livre lá no referido sítio, apressando, dessa maneira, a ação criadora do padre que, debaixo de um Juazeiro, bem no centro de Campina (local onde hoje fica a rua principal) celebrou a primeira missa e edificou um altar improvisado de varas, elevando ao mesmo tempo a imagem do arcanjo São Miguel, que posteriormente recebera do proprietário local, Sr. Manoel Antônio do Nascimento, o qual doou, ainda, quatro hectares de terra como primeiro patrimônio da paróquia de São Miguel.

O sol foi se pondo… Os relatos históricos do lugar fui ouvindo… Que tal confronto do padre com o major, teria se dado em 4 de fevereiro de 1874, quando o povoamento do sítio Campina contava apenas com duas residências: uma na fazenda Casa Nova e outra na Lagoa dos Paulinos.

Para celebrar o seu povoamento o padre Francisco Arcoverde Tavares edificou uma capela com a imagem de São Miguel, na condição de Padroeiro, o qual ficou sendo homenageado por nove noites seguidas, nas segunda quinzena do mês de Setembro. O lajedo Bonito é um dos locais mais visitados no município de Tavares.

O granito (do latim granum = grão, em referência à textura da rocha) é um tipo comum de rocha ígnea ou rocha magmática, intrusiva ou plutônica de grão fino não metamórfico, médio ou grosseiro, composta essencialmente pelos minerais: quartzo, mica e feldspato, tendo como minerais acessórios mica (normalmente presente). A rocha com esse tipo de camada antiderrapante torna-se mais fácil para andar sobre ela.

Em trocado e miúdos, conhecer a lajedo Bonito é você in loco, conhecer o potencial turístico do lugar, que ainda, por incrível que pareça, é muito pouco explorado. Não há projetos socioeducativo e cultural que envolva os jovens do lugar e eles mesmos, criar sua própria subsistência. É com esse olhar diferenciado que vamos tendo aula de campo, conhecendo a realidade de cada município nordestino. Não foi atoa que Euclides da Cunha escreveu, ” O nordestino é, antes de tudo, um forte.

AGUARDEM A PRÓXIMA POSTAGEM!

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Mais sobre:

Cláudio André

Cláudio André Santos, natural da cidade de Olho d'Água das Flores, sertão de Alagoas,formado em radiojornalismo, é poeta, blogueiro, radialista profissional (Reg.3059 - DRT-PE) e escritor. Tem doze livros de poesias e crônicas publicados. Premiado Pelo Ministério da Cultura em 2009 com o Projeto Cultural Minha Imaginação é um Poema. Estudou além Radiojornalismo, Francês e Filosofia. Membro efetivo da Associação Alagoana de Imprensa (Reg.678). Fundador da Rádio Olho d'Água FM, criador do Projeto Música na Escola e ex-seminarista. Show-man. Foi um dos fundadores e diretor-executivo da Associação de Blogueiros de Pernambuco (ABlogpe). Fundador do Sistema Online Poeta de Comunicação (Blog, Site, Studio, Lista telefônica, Rádio Web e TV Web). Trabalhou em mais de uma dezena de emissoras de rádio nos estados de AL, PE, SP. Tecnólogo em oratória, em técnicas de vendas e administração empresarial pelo SENAC. Tem várias premiações como repórter e blogueiro. Destaque na área do fotojornalismo. Criador do projeto ecológico/educativo Poeta Viagens e Aventura.

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