CONHEÇA AS RUÍNAS DA CASA DE ZÉ SATURNINO, INIMIGO NÚMERO UM DE LAMPIÃO

Por Cláudio André, publicado em 8 de novembro de 2018

As ruínas da casa de Zé Saturnino, um dos principais inimigos de Lampião, supera o passar do tempo. Nesse local, Virgulino foi vingar a morte do pai, morto a mando de Zé Saturnino, na fazenda Engenho, na zona rural de Mata Grande, Alagoas.
As ruínas da casa onde viveu até 1980, Zé Saturnino, principal algoz de Lampião, estão localizadas na fazenda Pedreiras, zona rural de Serra Talhada, sendo que faz parte da rota do Cangaço no sertão do Pajeú.

Andar por essas bandas é conhecer de perto e mergulhar num mundo de imaginação de como foi essa época de 1930. Foi nesse lugar que Lampião voltou em 1922, já sendo comandante do Cangaço para vingar a morte do seu pai, vítima da fúria de Zé Saturnino.
Onde tem apenas essa parede feita de tijolos de barro, foi no passado um casarão de Zé Saturnino, que provocou toda a ira de Lampião e família. É bom lembrar, que esses dois personagens eram vizinhos e amigos de infância.

Há nessa parede ainda marcas dos tiros que Lampião e seus cabras desferiram contra a casa de Zé Saturnino. Senão fosse o pedido da mãe de Zé Saturnino, Virgulino e sua tropa tinha tocado fogo no casarão com toda a família dentro.

 

Está bem visível por esse ângulo que as marcas dos tiros deferidos por Lampião na casa de Zé Saturnino perdura com o passar do tempo. Esse ocorrido foi em 1922, apenas uma parede resiste ao tempo, ao vento, ao sol…

A vegetação de caatinga, temperatura de verão em plena primavera, tudo junto ainda torna-se muito peculiar seguir os passos de Virgulino na zona rural de Serra Talhada, cidade que o tem como herói do sertão.

Enquanto andava com uma turma de amigos, fui relembrando minha infância no sertão alagoano, quando saía para caçar ou brincar de esconde-esconde na capoeira.

O mandacaru que é um cacto que suporta altas temperaturas e longas estiagens, mas, seu caule é nutrido por muita água. Ele pode ser usado para ração pro gado e pode ser utilizado para se fazer doces.

Quase um século se passou após a confusão de Lampião e Zé Saturnino, mas as marcas dos tiros disparados pelos filhos de Zé Ferreira encontram-se ainda nas paredes da casa, fazendo do local uma espécie de Museu a céu aberto, vale apena conhecer.

A fazenda Pedreiras no município de Serra Talhada, sertão do Pajeú, no estado de Pernambuco, é um atrativo histórico e cultural, já que por lá estão as ruínas da antiga casa da fazenda, onde Zé Saturnino se escondeu com medo de enfrentar Lampião e seus cangaceiros.

Debaixo de uma temperatura acima de 40 graus, encaramos o desafio de conhecer uma das principais rotas do Cangaço em Serra Talhada.

A caatinga era o ponto de convivência dos cangaceiros e Lampião. Geralmente, na época de 1930, os cangaceiros aproveitavam a parte do dia para localizar água e frutos da caatinga para serem usados durante as caminhadas.

O pé de umbuzeiro que suporta longas estiagens, nesse período de primavera muda toda sua folhagem.

Os cactos suportam o calor e mantém água em todo seu caule e são plantas típicas dessa vegetação são o cacto, a palma, o xiquexique, o mandacaru, a aroeira, o umbuzeiro, o juazeiro e o caroá. 

Muitas das plantas da caatinga têm capacidade de reter água no caule e nas folhas, o que acaba servindo para matar a sede de pessoas e animais quando a seca se prolonga muito.

Fiz questão de fotografar o painel do carro e comprovar que a temperatura é o maior desafio para quem se aventura pela rota do Cangaço na terra natal de Lampião. Há 35 km do centro de Serra Talhada, vivenciamos os 44 graus de temperatura, isso, na sombra. No meio do tempo a sensação era de 50 graus.

Em plena caatinga, após fazermos um documentário nas ruínas da casa de Zé Saturnino, fizemos uma pausa para tomar uma cerveja bem gelada ou água mineral (para quem estava dirigindo), que levamos a tira-colo. 
Na verdade, tinha que beber logo, senão esquentava a água e a cerveja em pouco tempo, diante do calorão que enfrentamos. Foi uma experiência incrível!

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Até a próxima postagem, quando os leitores conheceram a casa onde nasceu e se criou Virgulino Ferreira – Lampião.

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Cláudio André

Cláudio André Santos, natural da cidade de Olho d'Água das Flores, sertão de Alagoas, formado em radiojornalismo, poeta, blogueiro, radialista profissional (Reg.3059 - DRT-PE), escritor. Tem doze livros de poesias e crônicas publicados. Premiado Pelo Ministério da Cultura em 2009 com o projeto Cultural Minha Imaginação é um Poema. Estudou além Radiojornalismo, Francês e Filosofia. Membro efetivo da Associação Alagoana de Imprensa (Reg.678). Fundador da Rádio Olho d'Água FM e Rádio Web News Olho d'Água, criador do Projeto Música na Escola, ex-seminarista. Show-man. Foi um dos fundadores e diretor-executivo da Associação de Blogueiros de Pernambuco (ABlogpe). Fundador do Sistema Online Poeta de Comunicação (Blog, Site, Studio, Lista telefônica, Rádio Web e TV Web). Trabalhou em mais de uma dezena de emissoras de rádio nos estados de AL, PE, SP. Tecnólogo em oratória, em técnicas de vendas e administração empresarial pelo SENAC. Tem várias premiações como repórter e blogueiro. Destaque na área do fotojornalismo. Criador do projeto ecológico/educativo Poeta Viagens e Aventura. Membro efetivo da FACUPIRA (Fundação Cultural de Palmeira dos Índios/AL), Ex-membro do Conselho Municipal de Saúde de Bom Conselho/PE. Colunista dos sites Tribuna do Sertão (P.dos Índios) e Tribuna do Agreste (Arapiraca) e 7 Segundos (Maceió). Ex-assessor de comunicação da Câmara de Vereadores de Bom Conselho/PE.