PEDRA DA TARTARUGA: UMA GEOFORMA FEITA PELA AÇÃO DO TEMPO HÁ MILHÕES DE ANOS NA ZONA RURAL DE DELMIRO GOUVEIA

Por Cláudio André, publicado em 1 de outubro de 2018

A Pedra da Tartaruga fica dentro da área de proteção ambiental do assentamento Lameirão, zona rural do município de Delmiro Gouveia, alto sertão de Alagoas, há pelo menos 05 km distantes do Rio São Francisco, já na fronteira com os estado de Sergipe e Bahia.

A pedra Cabeça de Cobra é outra geoforma que você encontra na beira do Riacho da Mina. No seu entorno você vai encontrar pura vegetação de caatinga, com cactos e bromélias que suportam altas temperaturas.

Não foi atoa que no livro Os Sertões, de Euclides da Cunha, está escrito: “O sertanejo é, antes de tudo, um forte“. Veja como está a paisagem na zona rural de Delmiro Gouveia, onde há 02 anos não chove para encher os barreiros, açudes, tanques, caldeirões, etc.
Não importa se a palavra que destaca a frase acima é “sertanejo” ou “nordestino”, ambas no seu contexto exaltam a força e a bravura desse povo, seja ele do sertão ou não. A cada dia que se passa a vegetação muda de cor, sai do verde para o cinza. Pena que nessa região, os sobreviventes continuem sendo apenas mercadorias eleitoreiras.
Faz tempo que tive por aí, mas, as fotos são recordações boas e que sempre são atuais, até porque o sertão, a caatinga, os sobreviventes, fazem me lembrar o tempo de minha infância na zona rural da minha terra natal, Olho d’Água das Flores, sertão das Alagoas.
Em plena caatinga, pude encontrar essas camadas amareladas que cientificamente falando, são identificado pelo nome de LIQUENS. Os liquens (se pronuncia como se tivesse acento agudo no í) produzem ácidos que degradam rochas e ajudam na formação do solo, tornando-se organismos pioneiros em diversos ambientes. Esses ácidos também possuem ação citotóxica e antibiótica.
Enquanto caminhava e ouvia histórias dos jovens moradores da região do assentamento Lameirão, fiz comigo mesmo a seguinte reflexão: “O sertanejo consegue transformar a dor em esperança, a tristeza em fé e a fome em força“. 
Tentando ficar na sombra, numa temperatura ambiente de 42 graus
É da força desse povo que enxergamos a pujança das grandes cidades. É do calo de suas mãos que o progresso ganha contorno e presença. Por mais que a distância faça aumentar a saudade de seus familiares em suas terras natais, o nordestino nunca deixa de sorrir e acreditar num futuro melhor”. 
O assentamento Lameirão existe há 30 anos, onde as 28 famílias, pouco mais de 130 pessoas, ainda lutam para terem os títulos de suas terras, pois o processo ainda está em tramitação. Em contato com uma das líderes da comunidade,  ela informou a reportagem desse blog que há uma preocupação maior do que a documentação das terras, é que os jovens quando completam 18 anos estão saindo do convívio familiar para poder sobreviver, justamente por falta de oportunidade. A comunidade está formada por mais idosos. Até o time de futebol acabou, por que a maioria da juventude foi embora.
Existe um projeto turístico de subsistência, chamado de Veredas da Caatinga, que poderia beneficiar diretamente os jovens da comunidade, se por ventura o poder público local desse a atenção devida. Existe uma área de proteção ambiental que já vem sendo usada para trilhas ecológicas, onde a taxa que é cobrada para os visitantes servem para a manutenção da própria localidade. Isso poderia ser alavancado ainda mais com apoio dos poderes municipal e estadual.
Quem faz a Trilha Veredas da Caatinga, encontra em seu percusso rochas sedimentares como essa, feitas de argila. Essa camada amarelada tem como nome de liquens. Os liquens podem ser encontrados de várias cores, como por exemplo, cinza, verde, laranja, etc. 
Os liquens são bioindicadores de ar limpo e puro, ou seja, nesse local, o ar que você respirar será limpíssimo, lhe proporcionando uma melhor qualidade de vida.

As geoformas aparecem de várias maneiras, vejamos na imagem acima: Acima está a Pedra da Tartaruga, abaixo, a Pedra do Jacaré. Em todo o percusso da área de proteção ambiental no assentamento Lameirão, você encontra afloramentos de geoformas no meio da caatinga.
Vejam nessa imagem o encontro das pedras das Tartarugas e dos Crocodilos, e do Peixe Boi Marinho. As geoformas foram feitas pela ação do vento e do tempo há milhões de anos. Cravadas a beira do riacho da Mina, é um verdadeiro exibicionismo da natureza. Fiz essa imagem há tempo, mas, somente agora me dei conta da sua importância.

A pedra do Disco Voador é outra geoforma encontrada no meio da vegetação de caatinga e na beira do riacho da Mina, no assentamento Lameirão, fruto da primeira ocupação do MST em Alagoas em 1989, quando famílias  de vários municípios, em busca de terras produtivas se encontraram no assentamento Peba, na zona rural de Delmiro Gouveia.

No leito do riacho da Mina, está a pedra do Caldeirão, que no período de chuvas, logo se torna numa pequena piscina natural. A profundidade, a largura e sua extensão, o riacho mais parece um rio. Ainda existe uma mina no seu curso, porém, o assoreamento e a ausência de um reflorestamento, fica quase oculta a mina que da o nome ao riacho.

A pedra do Calango, é uma geoforma que mais parece esse tipo de animal silvestre, que é fácil ser encontrado no bioma caatinga. Você sabe que animal silvestre é todo aquele de espécie que naturalmente nasce e vive em ambientes naturais tais como florestas, savanas, oceanos e rios. Por sua vez, um animal silvestre pode ser considerado nativo ou exótico.

Pedra do Camelo, feita de uma rocha sedimentar. Entenda que as rochas sedimentares são compostas por fragmentos de rochas, provenientes do intemperismo e da erosão. esses fragmentos são transportadas pelo: gelo, vento e água. E se acumulam em planaltos na crosta terrestre

Pedra do Sapo feita de uma rocha de argila está no sítio do Platô, onde faz parte do percusso da trilha ecológica Veredas da Caatinga. 
Somente andando na caatinga é que você entenderá suas principais características: É na caatinga que acha forte presença de arbustos com galhos retorcidos e com raízes profundas. Presença de cactos e bromélias, onde os arbustos costumam perder, quase que totalmente, as folhas em épocas de seca (propriedade usada para evitar a perda de água por evaporação).
As pinturas rupestres feitas pelo homem primitivo ou por índios que habitaram a região do alto sertão de Alagoas. Os índios Karuazú, ainda resistem no município de Pariconha, enquanto que os Kalancó vivem na região da cidade de Água Branca, ambos, ligados ao município de Delmiro Gouveia.

Conhecer o sítio do Platô é uma grande aprendizagem geológica. Platô é a parte elevada e plana de um terreno. O mesmo que planalto. É a classificação dada a uma forma de relevo constituída por uma superfície elevada, com cume mais ou menos nivelado, geralmente devido à erosão eólica ou pelas águas.

O riacho da Mina há muito tempo que não recebe água. Tem uma nascente que fica escondida entre rochas, mas, o assoreamento não a faz prolongar-se por muito tempo e ter um olho d’água contínuo.

Caldeirões profundos e com uma acabamento inimaginável, promovido pela rotação da água e vento, faz do riacho da Mina, um lugar perigoso no período de trovoadas, até porque o volume d’água é muito grande grande.

Mais sobre:

Cláudio André

Cláudio André Santos, natural da cidade de Olho d'Água das Flores, sertão de Alagoas,formado em radiojornalismo, é poeta, blogueiro, radialista profissional (Reg.3059 - DRT-PE) e escritor. Tem doze livros de poesias e crônicas publicados. Premiado Pelo Ministério da Cultura em 2009 com o Projeto Cultural Minha Imaginação é um Poema. Estudou além Radiojornalismo, Francês e Filosofia. Membro efetivo da Associação Alagoana de Imprensa (Reg.678). Fundador da Rádio Olho d'Água FM, criador do Projeto Música na Escola e ex-seminarista. Show-man. Foi um dos fundadores e diretor-executivo da Associação de Blogueiros de Pernambuco (ABlogpe). Fundador do Sistema Online Poeta de Comunicação (Blog, Site, Studio, Lista telefônica, Rádio Web e TV Web). Trabalhou em mais de uma dezena de emissoras de rádio nos estados de AL, PE, SP. Tecnólogo em oratória, em técnicas de vendas e administração empresarial pelo SENAC. Tem várias premiações como repórter e blogueiro. Destaque na área do fotojornalismo. Criador do projeto ecológico/educativo Poeta Viagens e Aventura.

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